| Há algo de podre no reino da Blogosfera |
| Por Antonio Jozzolino | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 02 de agosto de 2007 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() “O Gilberto Knuttz, do Uêba – Os Melhores Links e Cybervida – Realidade Digital, lançou um meme-concurso-jabá, com o auxílio do Daniel Bender: Acabe com o mundo e concorra à um PowerBall.”. O texto que segue é minha contribuição para esta promoção.
Há algo de podre no reino da BlogosferaNem mesmo Tim Berners-Lee, Jorn Barger e Larry Page poderiam imaginar que suas contribuições à Internet fossem responsáveis pelo desaparecimento do ser humano da face da terra. Tudo começou em 1997 com o surgimento dos Blogs. Despretenciosos diários de bordo de pessoas perdidas, os blogs conquistaram um público cansado das notícias repetidas e sem análise da mídia tradicional. Qualquer um poderia agora escrever e arreganhar seus mais recônditos segredos a uma multidão voraz e voyeur. Não fosse o olho capitalista do Google em monetizar essa brincadeira de adolescentes, talvez ainda houvesse alguma alma humana para ler estas palavras. No início do ano 2000 apareceram os primeiros pro-bloggers: vagabundos incorrigíveis e sonhadores que viviam da ilusão de ganhar dinheiro sem fazer nada. Depois de terem experimentado programas de pirâmide, de terem entupido nossas caixas postais com anúncios vendendo viagra e mensagens intermináveis com variantes do "ganhe dinheiro fácil, passando ainda por programas mais "promissores" como Amway e Herbalife, estes proxenetas juntaram toda sua experiência e lançaram-se à aventura pseudo-literária que é criar e manter um blog. Já no final da primeira metade do primeiro decênico do século 21, milhares de blogs poluíam a internet, tornando palpável a expressão "blogosfera". Totalmente imersa em sí, encerrava ainda um comportamento onanístico e retal, meta falando sobre sí mesma, adotando os vícios de meios de comunicação mais primitivos como a televisão. Não demorou para o fenômeno chegar às ruas e aos cyberscafés: agora as pessoas só queiram blogar. Ninguém mais queria ganhar dinheiro honestamente. Até as prostitutas substituíram os programas por programas virtuais, open source, contando apenas com o retorno dos sistemas de afiliados. O trabalho real estava morrendo. A primeira vítima foi a cultura clássica. Os sistemas de busca, com seus algorítimos imperfeitos privilegiavam a técnica e não o conteúdo. Assim, uma simples pesquisa sobre um personagem como Sócrates poderia retornar algum jogador de futebol ou pagodeiro. Os blogueiros abusavam de técnicas de SEO , oferecendo aos ypsulons o tipo de conteúdo asqueroso que eles queriam: fotos do voô da Tam, vídeo da Cicarelli na praia, etc.
Swellen Rosimeyre da Silva não precisava mais se preocupar com as balas perdidas do Rio de Janeiro, pois elas acharam seu caminho: blogando. Mas, durante uma visita ao centro médico, horrorizada viu que não havia médicos nem enfermeiras: eles estavam blogando também ou fazendo sexo virtual, atividade comum entre médicos e enfermeiras. Até os doentes tinham morrido, na vã esperança de encontrar uma vida pós-morte repleta de conexão banda larga e domíniosgratuítos, usufruindo dos prazeres da carne flácida e abanados pela Bruna Surfistinha. Ninguém mais queria fazer nada, o negócio era blogar e acompanhar os rendimentos no adsense. A bolha estava formada e em expansão, e ninguém podia fazer nada! O caos aéreo acabou, pois as pessoas não queriam mais viajar, só blogar, e os pilotos também. As pessoas pararam de transar, na esperança de que sexo virtual geraria bebê de proveta. A raça humana parou de se reproduzir, exceto entre os ypsulons que não sabiam ler e escrever, mas sabiam fazer nenê, já que a carteira de motorista para ter filho ainda não havia sido aprovada pelo Congresso, ocupado com mais uma CPI, que apurava agora o constrangimento do presidente ao ser vaiado em mais uma aparição pública. E assim foi, em escala mundial, menos na Venezuela, China e Argentina, pois lá os blogs eram obrigados a falar bem dos seus países e o último também da sua seleção de futebol. Isto provocou uma migração em massa que também não ajudou em nada ao iminente caos econômico, ainda que o Navarro houvesse preconizado a fatalidade financeira. Finalmente, o Google quebrou. Não por não poder mais bancar o adsense, mas porque todos seus funcionários estavam ocupados com seus blogs e projetos bobos como o Orkut. No fim, quando a última estação geradora de energia apagou, houve blogueiro que enlouqueceu, blogueiro que se matou, blogueiro que começou escrever em papel, parede, asfalto, no que fosse, com giz, canivete, cuspe ou sangue. Blogar era preciso, viver não era preciso. Mas a última cartada não estava dada! Alijados dessa contaminação egóica-intelectual, os salsinhas ainda teriam sua revanche. Mortas de fome pelo colapso da atividade econômica, aproveitaram a noite - e a noite das idéias - para fazer uma revolução. Assim, quando o último blogueiro foi comido pelo último miguxo tendo como testemunha apenas o firmamento, as estrelas, deleitando-se no distanciamento que apenas quem está por cima pode experimentar, diante daquele espetáculo canibal, autofágico e dantesco, só tinham uma coisa a dizer: Publique este artigo no seu site | Visto: 14051 | Imprimir
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| Última Atualização ( 03 de agosto de 2007 ) | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||